O Sonho (do) Americano.
Os anos 80 foram de grandes mudanças no Brasil. Saímos de um período de Regime Militar (1964 – 1985), com repressões, violência, resistência e censura, para ingressar em um mundo globalizado, com liberdades e direitos com os quais não convivíamos. Foi promulgada uma nova e inovadora Constituição Federal, em vigor até os dias de hoje.
Politicamente, nos anos 80 foi criado o Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo. Em 1985 fomos às urnas em eleições diretas e, com a morte do eleito Tancredo Neves, a Presidência da República foi assumida pelo vice José Sarney. A economia estava em maus lençóis por conta de uma inflação reprimida vinda do período militar e, para combatê-la, foi elaborada uma sequência de Planos Econômicos que acabaram funcionando como um remédio para amenizar a dor da inflação acumulada. Todos fracassaram, um a um. Durante o governo Sarney, a inflação atingiu índices de 80% ao mês.
O monstro da crise econômica assombrava nosso país e foi incentivo para que os brasileiros seguissem rumo ao que se denominava Sonho Americano. Os Estados Unidos passaram a ser nossa esperança. Um país com a economia estabilizada e com oportunidades mil era sonho de consumo para quem vivia atropelando obstáculos financeiros no Brasil.
Neste período, os Estados Unidos da América receberam imigrantes como nunca haviam recebido em toda a sua história. No mercado de trabalho, imigrantes foram recepcionados por funções que não exigiam qualificação, tais como lavar pratos, trabalhar em construções e limpar residências.
O brasileiro, encorajado pelo desejo de alcançar a estabilidade financeira, lutou desempenhando funções que exigiam desgaste físico. Nosso povo trabalhou muito e contribuiu fortemente para a economia do grande Império norte-americano. Segundo reportagem mostrada no G1, em 2009, o imigrante brasileiro era responsável pelo equivalente a R$ 100 bilhões do PIB norte-americano. Em pesquisa feita no mesmo período constatou-se que o imigrante brasileiro nos Estados Unidos era predominantemente de classe média e com mais capacitação que imigrantes de outros locais.
Entramos no grande império legalmente, também entramos ilegalmente, lutamos pelo visto, convivemos com grande preconceito, que é habitual por parte dos norte-americanos. O cientista político David Shirk, da Universidade de San Diego, resumiu: “Os Estados Unidos odeiam e sempre odiarão os imigrantes”. Foram tempos difíceis, de muito trabalho e luta. Anos de recuperação econômica no Brasil, anos que trouxeram crescimento ao nosso país.
Como acontece com todo grande Império, após a ascensão, vem a queda, e os Estados Unidos vivem hoje um grande problema econômico. Recentemente, foi divulgado pelo presidente Barack Obama programa de governo que facilitará e agilizará a emissão de vistos aos imigrantes, especialmente aos brasileiros. Por muito tempo ajudamos consideravelmente na economia do Império americano e, após anos de preconceito querem nosso trabalho e nosso turismo para a reestruturação de sua economia.
Brasil, talvez seja a hora perfeita de investirmos em nossa própria economia. É preciso que haja incentivo governamental para o turismo e para o comércio interno. Vamos comprar, viajar e explorar nossas próprias riquezas.





