sexta-feira, 20 de janeiro de 2012




O Sonho (do) Americano.

Os anos 80 foram de grandes mudanças no Brasil. Saímos de um período de Regime Militar (1964 – 1985), com repressões, violência, resistência e censura, para ingressar em um mundo globalizado, com liberdades e direitos com os quais não convivíamos. Foi promulgada uma nova e inovadora Constituição Federal, em vigor até os dias de hoje.

Politicamente, nos anos 80 foi criado o Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo. Em 1985 fomos às urnas em eleições diretas e, com a morte do eleito Tancredo Neves, a Presidência da República foi assumida pelo vice José Sarney. A economia estava em maus lençóis por conta de uma inflação reprimida vinda do período militar e, para combatê-la, foi elaborada uma sequência de Planos Econômicos que acabaram funcionando como um remédio para amenizar a dor da inflação acumulada. Todos fracassaram, um a um. Durante o governo Sarney, a inflação atingiu índices de 80% ao mês.

O monstro da crise econômica assombrava nosso país e foi incentivo para que os brasileiros seguissem rumo ao que se denominava Sonho Americano. Os Estados Unidos passaram a ser nossa esperança. Um país com a economia estabilizada e com oportunidades mil era sonho de consumo para quem vivia atropelando obstáculos financeiros no Brasil.

Neste período, os Estados Unidos da América receberam imigrantes como nunca haviam recebido em toda a sua história. No mercado de trabalho, imigrantes foram recepcionados por funções que não exigiam qualificação, tais como lavar pratos, trabalhar em construções e limpar residências.

O brasileiro, encorajado pelo desejo de alcançar a estabilidade financeira, lutou desempenhando funções que exigiam desgaste físico. Nosso povo trabalhou muito e contribuiu fortemente para a economia do grande Império norte-americano. Segundo reportagem mostrada no G1, em 2009, o imigrante brasileiro era responsável pelo equivalente a R$ 100 bilhões do PIB norte-americano. Em pesquisa feita no mesmo período constatou-se que o imigrante brasileiro nos Estados Unidos era predominantemente de classe média e com mais capacitação que imigrantes de outros locais.

Entramos no grande império legalmente, também entramos ilegalmente, lutamos pelo visto, convivemos com grande preconceito, que é habitual por parte dos norte-americanos.  O cientista político David Shirk, da Universidade de San Diego, resumiu: “Os Estados Unidos odeiam e sempre odiarão os imigrantes”. Foram tempos difíceis, de muito trabalho e luta. Anos de recuperação econômica no Brasil, anos que trouxeram crescimento ao nosso país.

Como acontece com todo grande Império, após a ascensão, vem a queda, e os Estados Unidos vivem hoje um grande problema econômico. Recentemente, foi divulgado pelo presidente Barack Obama programa de governo que facilitará e agilizará a emissão de vistos aos imigrantes, especialmente aos brasileiros. Por muito tempo ajudamos consideravelmente na economia do Império americano e, após anos de preconceito querem nosso trabalho e nosso turismo para a reestruturação de sua economia.

Brasil, talvez seja a hora perfeita de investirmos em nossa própria economia. É preciso que haja incentivo governamental para o turismo e para o comércio interno. Vamos comprar, viajar e explorar nossas próprias riquezas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Novas noticias de um ano nada novo.


Quantos crimes são registrados diariamente nas delegacias do país ? Quantos delitos, de grande importância ou não, são registrados diariamente em apenas uma delegacia? São muitos! Tantos, capazes de causar tamanha demanda que não se consegue cumprir todas as diligências, conforme a legislação espera que seja feito. Na prática, grande parte dos delitos registrados são arquivados.

Mesmo diante dessa super demanda, o jogador Somália, do Botafogo, foi notícia na última semana ao comunicar um Seqüestro Relâmpago que teria sofrido. No entanto, provas demonstram que a conduta do jogador se enquadra no art. 340 do vigente Código Penal, qual seja, Comunicação Falsa de Crime ou Contravenção.

Conforme provas vêm constatando, o jogador optou por imaginar um crime e registrar sua ocorrência para, desta forma, faltar a treino do clube sem que lhe cobrassem multa. Foi divulgado pela mídia que a falta ao treino se deu, verdadeiramente, por uma noite mal dormida. Não nos cabe imaginar ou sugerir o que teria levado Somália a ter uma noite mal dormida.... No entanto, busquemos a grande questão ...

Acabamos de adentrar um novo ano, o que, na prática, não significa muitas mudanças. O ano de 2011 começou exatamente como os anos anteriores, com chuvas, enchentes, mortes no trânsito. Elegemos novos dirigentes para o país e, se pensarmos bem, notaremos que nossos novos dirigentes não são tão novos assim. Talvez as coisas continuem exatamente como nos anos anteriores.

Neste inicio de ano tão comum, o jogador Somália nos presenteou com grande chance de abordar um assunto comum e que sempre se repete, assim como tudo que tem acontecido neste inicio de ano: a Corrupção.

Nota-se o quão corrupto foi o jogador. Contudo, tal característica não é inerente a ele, apenas. Nós, brasileiros, temos traços de corrupção trazidos como uma herança histórica, desde a colonização. O desempenho do jogador nos treinos do clube não diz respeito ao país ou aos brasileiros, mas tão somente ao time do Botafogo e aos torcedores botafoguenses. Todavia, seu comportamento corrupto, o seqüestro por ele forjado e sua conduta diante das autoridades policiais, dizem respeito ao país, ao nosso desenvolvimento, aos brasileiros que sabem que o Brasil muito tem a caminhar para alcançar resultados satisfatórios no que diz respeito a segurança.

Acerca de segurança pública, há muito o que se cobrar, há muito o que se questionar, há muita corrupção para interromper até que tenhamos proteção, de fato. E se a corrupção vem entranhada em nossas veias como uma herança histórica, há como interrompê-la para que não faça mal ao harmonioso desenvolvimento e melhora da segurança publica? Perceba que nossa proteção depende exclusivamente do ser humano, cujo modo de portar-se é inclinado à enganação. Agentes carcerários, policiais, delegados de policia... são todos seres humanos! São pessoas que herdaram o comportamento corrupto ou, no mínimo, corruptível.

Serão, os homens, gradativamente trocados por máquinas? O início dessa troca gradativa pode ser observado no uso das tornozeleiras eletrônicas para presos em regime semi-aberto? E o que dizer sobre a criação de novos empregos, caso as máquinas ganhem posição privilegiada?

Entramos em um novo ano que começou semelhante aos anos anteriores. Façamos surgir novas questões, desafios, novos problemas. Problemas são fonte de estudo e de debate. Debates, por sua vez, são caminho seguro para a busca da solução.

Meu desejo de Feliz 2011 vem com grande torcida para que persista o ato de questionar e que as cobranças se mantenham. E mesmo que 2012 venha com as mesmas chuvas, as mesmas enchentes, os mesmos acidentes de trânsito de todos os anos, confio que virá com outros questionamentos, outros problemas... nossos problemas de agora, resolveremos agora. O que devemos deixar de herança para as próximas gerações é um 2011 limpo , de luta e de soluções.

Ressurgimento


Há alguns meses houve o falecimento desta página. O óbito não foi comunicado e nem registrado, mas constatado por falta de publicações. Gerou grande pesar.
O criador soprou nas narinas de sua criatura o fôlego da vida.... Então, como criadora desta página, vou reavivá-la e lhe soprar ares criativos e questionadores. Ao menos é o que se espera....
Lhes dou, novamente, as boas vindas...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Progesso do Exame de Ordem (?)



Diante de um mundo em constantes transformações, temos leis dinâmicas, um direito dinâmico e por que não, exames para ingresso na área jurídica dinâmicos?

Em outros tempos, para ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil, permitia-se a consulta de Doutrinas no decorrer dos exames, além da legislação e jurisprudências. 

Em 2010, mudou-se a realidade dos bacharéis. O Provimento n. 136/2009 do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mudou significativamente a prova e, consequentemente, o numero de aprovados, já que passou a impedir a consulta à outro material que não a legislação.  

É clara a intenção da Ordem de cobrar a melhor preparação dos bacharéis durante o curso de direito já que, é grande a preocupação da instituição no que tange a quantidade astronômica de formandos a cada ano, e a falta de preparo da grande maioria .

Questiono! Por que não consultar as doutrinas? Será que as modificações do provimento 136/2009, no que diz respeito à consulta,  apenas cumprem o objetivo de forçar a dedicação do futuro jurista, ou acabam por interferir negativamente no resultado das provas, deixando de aprovar inclusive bacharéis capacitados?

A consulta a qualquer material é interessante aos profissionais de qualquer área!

Ao tomarmos como exemplo o advogado, concluímos que, para cumprir com seu compromisso de usar das armas cabíveis para defender seu cliente, o advogado tem o dever de consultar! É forma de aprendizado, de pesquisa, de complementar as peças, enriquecer os argumentos e buscar dar abundância ao rol de soluções para determinado caso. Deve-se Realizar a pesquisa para obtenção de um bom trabalho.

O exame de ordem é a forma utilizada para extrair os conhecimentos do bacharel, a ponto de conseguir identificar os bons profissionais, aqueles que estão habilitados a exercer funções inerentes a lei.  Assim, nada mais justo poder contar, o candidato ao registro na OAB, com a legislação, com jurisprudências e com Doutrinas, que farão efetiva inserção do futuro profissional em sua real lida diária.

É necessário avançar! Talvez não estejamos sabendo aproveitar os melhores meios para isso. Para refletir, um questionamento final: Seriam aprovados no atual exame de Ordem os competentes profissionais da advocacia moderna?

terça-feira, 6 de julho de 2010

A magia da Copa do Mundo

Ir embora nas Quartas de final .. assim , jogando feio, sem os passes bonitos, sem as jogadas de mestre, sem as gracinhas e a malandragem brasileira? Não foi bonito não!

A seleção de Dunga foi uma seleção que ficou pra trás, uma seleção que talvez ganhasse em outros tempos ou, quem sabe, com outras combinações ou outras jogadas, ou outro técnico ou... é , não tem jeito. Aquela seleção não conseguiria ganhar a Copa da África.


Os 180 milhões de técnicos brasileiros diriam: “Faltaram as jogadas bonitas, os passes espontâneos .. o Ganso, Ronaldinho Gaucho, talvez o Adriano”. Não foi dessa vez .. perdemos feio! Levamos surra da Holanda, voltamos chorando pra casa, e chorando com razão. Voltamos com vergonha, com vontade ter feito mais. Talvez desse pra fazer mais. Aí está o grande pesar.


Jogo perdido, Copa perdida... Qual o primeiro passo do brasileiro após a grande derrota ? Festejar e Beber o derrotado ! O bom brasileiro fez 5 minutos de luto pelo time, ouviu a coletiva do Dunga, desligou a televisão e tratou de encher os copos e partir pra um papo novo que desse motivo para rir na tarde que deveria ser de festa.

A festa ? exato! é essa a magia da copa. O bom do brasileiro, é que a comemoração é feita nas vitórias e nos fracassos. O que fazer com o insucesso? comemorar as vitórias anteriores, ou as vitórias que estão por vir. O espírito da coisa é mais ou menos esse.

Sente-se a vibração. Alegra-se com os sorrisos. Anima-se com o bom papo.

Acabaram as expectativas dos jogos ? A Copa foi para o espaço e a nossa seleção voltou pra casa ? Já não adianta mais gritar “Bola pra frente Brasil”. Usemos nossos 5 minutos de luto para desabafo ... xingar, gritar , chorar, e depois ... o jogo continua conosco.
Está conosco a bola. É “Bola pra frente brasileiro”!



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O sotaque das goianas

" O sotaque das goianas deveria ser ilegal, imoral ou engordar, já que tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais... como é que o falar lindo e charmoso ficou de fora?
Por que Deus, que sotaque! Goiana devia nascer com uma tarja preta avisando: "Ouvi-la faz mal a saúde." Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez, quase propus casamento a uma goiana que me ligou por engano.

Elas tem um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá por que abandoná-las no meio do caminho. Os não-goianos, ignorantes nas coisas de Goiás, supõem, precipitada e levianamente, que os goianos vivem apenas de uais, trens e sôs. Goiana não fala que o sujeito é competente, ele é bom de serviço.

Nunca usam o famosíssimo tudo bem. Sempre perguntam Ce tá boa? Pra mim, isso é pleonasmo, perguntar se uma goiana ta boa é desnecessário. O verbo mexer, para as goianas tem amplos significados, quer dizer por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem: Com o que que o ce mexe?, querem saber o seu oficio.

Goianas não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá por que, sou doida com ele (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa. Também não gostam do verbo conseguir, aqui você nunca consegue nada, você não da conta.

Que goianas nunca acabam as palavras todo mundo sabe. E um tal de bunitim, fechadim, pititim.Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma goiana, você não ouvirá nunca. Preciso avisar a língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a goiana.

Aqui certas regras não entram. O supermercado nunca tá lotado, sempre tá chei de gente, não faz muitas compras, compra um tanto de coisa. Se, saindo do supermercado, a goianinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas goianas.

Goiano não arruma briga, caça confusão. Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaiz!! Vocês já ouviram esse 'capaiz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer ce acha que eu faço isso'? Com algumas toneladas de ironia... E o 'nem', já ouviu?? Completo ele fica: Ahhh nemmmm!' Significa amigo, que a goiana não vai fazer o que você propôs de jeito nenhum.

Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das goianas. Goiana não pergunta você não vai? A pergunta goianamente falando e: 'Ce não anima de ir?'. O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se você em conversa falar 'Fui lá comprar umas coisas. ', a goiana retrucara: Ques coisa? O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que.
A
fórmula goiana é sintética. E diz tudo. Até o 'tchau' em Goiás é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: tchau procê, tchau procês. É útil deixar claro o destinatário do tchau.

A conjugação dos verbos em Goiás têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios!!! "

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pelo mestre Carlos Drummond de Andrade



Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipocas na praça. Lambuzando o queixo de sorvete, melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem para escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar, quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto alto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem nem liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser Abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acende no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem a certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava, de passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo, corre em outras veias. Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos, Deus está conosco, juntinho ao nosso lado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente como você que nem percebe que tem a alma perfumada e que esse perfume é um dom de Deus.

Carlos Drummond de Andrade